AMAPÁ · AMAZÔNIA · BRASILJornalismo jurídico independente
Trajetórias da advocacia

Israel da Graça: de Santana à presidência da OAB Amapá

A infância em uma área de ponte, o trabalho com o pai, a universidade pública e a passagem pelo setor bancário integram o caminho do advogado que hoje preside a OAB/AP e a Comissão Nacional de Direito Ambiental.

Ir para o texto completo ↓
Retrato de Israel Gonçalves da Graça, presidente da OAB Amapá
Retrato publicado pela OAB/AP em 5 de abril de 2025.

Antes da presidência da OAB Amapá, vieram a escola pública, o trabalho na construção civil e a formação universitária. Natural de Santana, Israel Gonçalves da Graça construiu uma trajetória que passou pela docência e pelo setor financeiro até chegar à representação da advocacia amapaense. É com esse percurso que o Equinócio Jurídico abre sua série sobre as lideranças das seccionais da Ordem.

A infância em Santana e o trabalho ao lado do pai

Em entrevista ao Jornal O Amapá, publicada em abril de 2025, Israel contou que cresceu em uma família de poucos recursos, em área de ponte. A mãe trabalhava como empregada doméstica; o pai, como pedreiro. Aos 12 anos, conciliava a escola com a companhia do pai nas obras, inicialmente para não permanecer sozinho em casa. Quando começou a receber pelo trabalho, destinava metade do dinheiro às despesas familiares.

O perfil publicado pelo jornalista Andrey Mello registra que ele estudou em escolas públicas e trabalhou como ajudante de pedreiro durante a adolescência, até ser aprovado no vestibular aos 17 anos. A universidade entrou, assim, em uma história já marcada pelo encontro entre estudo e trabalho.

Da universidade à carreira bancária

A formação acadêmica foi construída na Universidade Federal do Amapá. Segundo a Seccional, Israel é graduado em Matemática e Direito, mestre em Direito Ambiental e Políticas Públicas e especialista em Metodologia do Ensino Superior. Também exerceu a docência em Matemática e Direito do Trabalho, conforme os perfis públicos consultados.

Durante o curso de Matemática, ingressou no setor bancário. Na entrevista ao Jornal O Amapá, relatou ter recebido treinamento em São Paulo para atuar como executivo. O perfil de Andrey Mello descreve sua passagem pela gerência de agências e pela supervisão regional, abrangendo o Amapá e parte do Pará.

A mudança seguinte foi uma escolha de profissão: deixou a instituição financeira para se dedicar à advocacia. Segundo o relato biográfico publicado por Andrey Mello, tornar-se advogado era um projeto compartilhado com os pais. Sua atuação profissional passou pelas áreas trabalhista, cível, ambiental e bancária.

A chegada à presidência da OAB/AP

Em novembro de 2024, Israel foi eleito presidente da OAB Amapá pela chapa OAB para Todos. Assumiu em janeiro de 2025, para o mandato 2025–2027. A eleição levou à direção da Seccional um profissional formado no estado, com experiência tanto no exercício jurídico quanto na gestão do setor privado.

Na apresentação de suas prioridades, a gestão destacou a expansão da presença da Ordem no interior, a formação profissional e a inclusão de advogadas e advogados com deficiência. Essas frentes passaram a integrar a agenda institucional da Seccional.

Conquistas da gestão e trabalho coletivo

Entre as entregas divulgadas pela OAB/AP está a inauguração, em agosto de 2025, do Coworking da Advocacia e de duas salas de Escritório Modelo no prédio da Caixa de Assistência. O serviço ampliou a estrutura compartilhada disponível para o exercício profissional.

Em agosto de 2026, a inauguração da Subseção de Laranjal do Jari representou outro passo: a ampliação da presença institucional no sul do Amapá. São realizações da gestão presidida por Israel, desenvolvidas com a participação da diretoria, da Caixa de Assistência, das representações locais e de parceiros institucionais.

A atuação também alcançou a educação cidadã. Com o Projeto Jurista Mirim, a OAB/AP levou às crianças uma proposta de aproximação com direitos e cidadania. A iniciativa amplia o público das ações da Ordem para além dos profissionais já inscritos.

As raízes amazônicas no debate nacional

Em junho de 2025, a OAB/AP anunciou a posse de Israel na presidência da Comissão Nacional de Direito Ambiental. O ato, em Brasília, contou com Beto Simonetti e Rafael Horn. A nomeação aproximou sua formação acadêmica de uma responsabilidade nacional: conduzir debates jurídicos sobre meio ambiente.

Na notícia sobre a posse, a Seccional destacou sua origem familiar ribeirinha e a importância da participação amazônica nas discussões sobre desenvolvimento e preservação. O novo cargo somou-se à presidência estadual, dando alcance nacional à sua atuação ambiental.

Em abril de 2026, já à frente da comissão, Israel participou de encontro com o Ministério do Meio Ambiente e Beto Simonetti. Segundo o Conselho Federal, foram discutidos um acordo de cooperação e a participação da OAB no Conama. As tratativas demonstram a agenda em desenvolvimento; a notícia não equivale à comprovação de que o acordo tenha sido concluído.

Uma trajetória em construção

Da juventude em Santana à liderança institucional, o percurso reúne mudanças concretas: o ingresso na universidade, a carreira bancária, a opção pela advocacia, a eleição na Seccional e a presidência de uma comissão nacional. As entregas da gestão acrescentam um capítulo coletivo a essa história pessoal, que continua em andamento no mandato 2025–2027.

Este perfil foi elaborado com base em entrevista já publicada, registros biográficos e notícias institucionais disponíveis até 25 de setembro de 2026. As lembranças da infância são atribuídas às fontes originais; não houve entrevista exclusiva com o Equinócio Jurídico.

Compartilhe esta matéria

WhatsAppFacebookLinkedInX

Sugerir uma correção ou atualização

Indique o trecho e o que deve ser corrigido em Israel da Graça: de Santana à presidência da OAB Amapá. Sua mensagem será recebida na área reservada da redação.

Os dados de contato e a sugestão ficam restritos à redação.